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Publicado em: 24/07/2014

Lançamento do filme Coração Azul

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Wellington Sari não gostava. Fazia caretas. Resmungava. Ficava possesso. Irritadiço. Sempre que, no set de “Coração Azul”, alguém passava por ele e dizia “Roberto Carlos”, ou quando, durante o almoço, membros brincalhões da equipe desenhavam no prato do diretor o rosto do cantor, para que, finada a última garfada, se deparasse com a cara sorridente do Rei. Wellington Sari ficava danado da vida. O motivo: não aceitava que sua maneira supersticiosa de lidar com certas cores fosse comparada com as célebres manias do motorista mais ousado que já trilhou a estrada de Santos.

Sari não consegue, de maneira alguma, vestir qualquer roupa de cor azul. Não importa se é azul turquesa, azul bebê, azul piscina, azul calcinha: basta que uma camiseta, por exemplo, seja vagamente azul para que ele tenha vontade de queimá-la, imediatamente (mesmo que a camiseta lhe tenha sido dada como presente). Algumas marcas em seus braços e barriga são a prova de que o vestuário nem mesmo precisa estar fora do corpo para que ardam as chamas da mania doentia.

Foi com as sobrancelhas cartunisticamente levantadas em surpresa que os outros quatro sócios do Quadro receberam, em 2013, um e-mail intitulado “Roteiro coração azul”. Se detesta a cor azul, por que fazer um filme com este título? A resposta não poderia ser mais singela: para começar a gostar da cor azul. A ideia de desenvolver um projeto sobre dois amigos de 13 anos que resolvem abrir uma agência de detetives na escola, e acabam envoltos em um caso de sumiço da bola de vôlei e o aparecimento de manchas azuis em borrachas, surgiu em 2008. Em 2011, com o projeto contemplado no edital do Mecenato Subsidiado da Fundação Cultural de Curitiba e com o apoio recebido pelos supermercados Condor, Sari teve a chance de retrabalhar o roteiro. O longo processo até o final de 2013, quando o filme começou a ser gravado, permitiu o amadurecimento do projeto. “Como se sabe, uma fruta madura fica azul”, conta, erroneamente, Sari.

Com mais da metade das gravações sediadas no Colégio Medianeira e contando com uma mescla entre atores mirins com experiência na área e outros que não haviam atuado antes, “Coração Azul” não é, segundo o diretor, um filme infantil. “É um filme de amor com a sensibilidade inocente muitas vezes associada à adolescência e pré-adolescência”, explica.

O curta-metragem será lançado no domingo, dia 03 de agosto, no auditório do Museu Oscar Niemeyer, às 15h. É a segunda vez que O Quadro promove exibições no local.

A terapia de cor funcionou? Sari passou a gostar da cor azul? “Sim”, responde, enquanto atravessa a rua para evitar cruzar com um jovem vestindo camiseta vermelha.

Lançamento do curta-metragem “Coração Azul
Data: 03/08/2014
Horário: 15h
Local: Auditório Poty Lazarotto (Museu Oscar Niemeyer)
Entrada gratuita
Evento no facebook

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